As pessoas estavam olhando. Elas sempre estão. É como se naquele momento até mesmo as mais ocupadas buscassem no mal comportamento dele consolo pras suas próprias frustrações. “Existe alguem mais fracassado que eu” elas pensavam enquanto o viam tão efêmero. O garoto o desabou como um menino quando seu caminhaozinho de brinquedo quebra. Dessa vez não foi o caminhão. Segundo meu pré diagnóstico visual de quem esta familiarizado com a dor, o quebrado da vez foi o coração. Senti vontade de chegar perto do pobre jovem e lhe dar um abraço. Queria que ele soubesse que eu o entendo, mas que não vale tanto a pena chorar, ainda mais na frente dessa platéia sádica. Não vale a pena chorar agora, você precisa guardar suas lagrimas para uma vida inteira cheia delas. Usa essa dor que esta sentindo para se fortalecer ou então o mundo vai te dilacerar. Não sei se minhas palavras ajudariam o garoto a se levantar e abandonar o palco do show que esta protagonizando em plena avenida, mas tive vontade de dizer. Em vez disso, atravessei a rua e até certo ponto pude ouvi-lo lo gritando e chorando. “Ela não podia fazer isso comigo” ele dizia. Entrei na primeira esquina, caminhando devagar. Sua voz foi ficando mais distante até se tornar inaudível. É isso que acontece sempre. Não importa o quanto você sinta a sua dor e tente explica-la para alguem, seja através de palavras bem ditas ou de gritos entrecortados por prantos, uma hora vão parar de ouvi-lo e continuar vivendo sua própria vida. No fundo, mesmo se importando, ninguém pode fazer nada pela sua dor.